quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A Gripe

Praga maldita que teme em açoitar gargantas pueris e imaculadas. Encatarra e edemacia a pobre que está lá, só querendo fazer a ligação cabeça-resto-do-corpo.


Pior: dia de frio e chuva e ônibus com a janelinha fechada. Haja antibiótico.


Ninguém merece.




segunda-feira, 9 de junho de 2008

A Vida

A vida é mais ou menos assim: você passa metade dela tentando envelhecer e o resto tentando voltar a ser jovem.

A vida é um punhado de setas: vá para a esquerda, vire à direita. Siga em frente. Pare.

A vida só não pára esperando você se decidir. Proibido estacionar.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O Santo

Reza a lenda que além de casar, esse santo também ajuda nas causas perdidas.

Mas me diz: tia solteirona não é causa perdida E também causo de amor?

Como há o que há, hoje o santo deve estar em parafusos ao organizar tanto pedido. Haja sapiência-paciência. E tudo mais.

Para me garantir nas causas perdidas que me vem na busca da bendita bolsa da faculidade, eu vou fazer a minha novena. Puscausa de garantir, sabe?

terça-feira, 3 de junho de 2008

A Ida e a Volta

Ida e Volta poderia ser nomes de mulheres qualquer...
e bem que poderia, se não significassem algo tão maior.

Nosso caminho tem tantos caminhos, nas idas e voltas da vida...

E é tão engraçado...

Às vezes precisamos ir.
Ir pode ser doloroso... e pode ser maravilhoso.

Muitas vezes precisamos voltar.
Voltar pode ser doloroso... e pode ser tão gostoso.

"Voltar" não existe sem "ir", mas ir pode existir sem voltar.

A vida é uma ida sem volta...
A morte é uma ida sem volta...

e o amor... sim... é uma ida sem volta.
e pro nosso amor... nós sempre voltamos.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O Buraco

Ta aí o sentido da vida: descobrir onde é o buraco.

E só para auxiliar: o buraco é SEMPRE mais embaixo.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O Príncipe Encantado

Todas as garotas querem. Todas as mulheres idealizam.

Quem será o príncipe encantado? Será o companheiro de trabalho, o chefe, o cara do ônibus, da lanchonete? Raramente a gente vai saber assim, de supetão.

Precisa-se correr riscos. Se jogar, pular de cabeça. Na pior das hipóteses, se ganha uma dor-de-cotovelo e experiência.

Mas se não, só ganha a vida passando por você.

Não tente encaixar cada cara em todos os requisitos. Ninguém vai ser 100% e você vai ser só frustração.

A magia do príncipe encantado está no fato dele ser quem você menos espera e imagina. Em ser a pessoa que você jamais suspeitara. Em descobrir, sem querer, que seu grande amor está acima de todos os preconceitos. E que, sim, ele é O cara.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

O Aniversário

Ela costumava adorar aniversários. Com as mãozinhas gordas, abria os olhos e sabia que era um dia especial.

Era dia dela. Dia para as pessoas lembrarem dela, para amarem-na. Para transformá-la, nem que por um dia, em uma princesa.

Então os anos foram passando de mansinho. Ela contabilizou mais anos do que poderia contar nas palmas. E de repente, acabou seu principado.

Hoje todo aniversário é um dia sofrido. Porque ela acorda com a expectativa de ser princesa e no fim do dia descobre que não há mais tempo para isso. Descobre que é fácil ninguém se lembrar dela e, pior, não demonstrarem o quanto ela é amada é importante.

Aí não tem solução: ela fica com o coração no pé, pulando que nem o saci.

Hoje ela acordou com a fraca esperança do seu conto de fada. Lavou os cabelos, escolheu uma roupa legal, um par de brincos não usualmente utilizados, uma borrifada de perfume. Talvez novamente houvesse um lampejo de desejo. Mas não vai haver.

De novo, mais um dia. Só mais um dia.

sábado, 24 de maio de 2008

O Parque de Diversões

Alguns têm medo do bicho-papão. Outros, de assalto. Outros, do Maluf.

Eu tenho de parque de diversões.

Não sei se porque, quando era pequena e haviam inúmeras excursões escolares para tais locais, minha mãe, temendo mais pelo absurdo dinheiro gasto do que pela própria vida do rebanho, lorotava sobre crianças caindo de cabeça da montanha-russa, passando pelas que morriam sufocadas em montanhas encantadas até as que eram eletrocutadas nos carrinhos bate-bate.

Hoje eu vejo milhões de noites de terror. A mim não afeta nada a visão soturna do parque; na verdade, só parece mais real que nunca.


Para mim, sempre foi assim.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A Televisão

Não vou dizer que a televisão me emburreceu, até porque se isso tivesse ocorrido seria deveras culpa da Internet. Mas mantenho meu português intacto - na medida do possível.

Veja bem: a TV não é algo que consome muito o meu tempo; desde que lançaram séries para download, perco mais meu tempo na frente do monitor do computador mesmo. Não posso culpar a TV de nada, porque existe sim programas de excelente qualidade - sem citar preferências (Pingu!) - e aparetemente renegados ao limbo. Existem boas histórias a serem muito bem contadas. Ver um filme às vezes é a alegria de ver um livro já lido tomando vida. Faz da gente meio pai/mãe.

Não bote a culpa na TV. Quem fica burro é por preguiça de buscar informações num mundo onde elas são distibuídas de bandeja, e nem sempre é caviar.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O Cão

Eu adoro animais. Não todos, mas grande parte deles.

Gosto de passarinho, de gato, de tartaruga... Mas nenhum se equipara ao cachorro. Eu tenho verdadeira devoção.

Quando pequena, morria de medo de cães. Quando avistava um, chegava a chorar, tremer, quase desmaiar ou simplesmente sair correndo em direção à rua sem sequer ver se havia algum carro.

Tinha pavor. Tinha pesadelos com cachorros sendo fatiados na minha frente. Mesmo tendo um Fila gigante em casa, cagava de medo até de Fox Paulistinha.

Aí vovó, meio bruxa, fez uma simpatia. E tudo passou.

Eu caí de amores pelos caninos. Hoje eu paro no meio da rua para agradar às cabecinhas. Eu divido rango com cachorro de rua. Eu fico com o coração partido em veterinários que vendem filhotes pensando furiosamente em comprá-los e escondê-los no meu quarto. Acho que é por isso que Deus nunca permite que eu tenha dinheiro sobrando; meu quarto é bem pequeno para um canil.

Não há nada que deixe meu coração mais cantarolante do que um cão brincalhão. Só um grande amor. Mas vá lá: se não for grande também meu amor por cachorro, não sei mais definir medidas.

"Os cães são melhores que os seres humanos porque eles sabem, mas não contam." ( Heráclito )

O Sono

Fome, sede, frio, calor. Até dor de barriga. Se você começa a sentir um deles, é plausível até conseguir evitá-los por um tempo, que vai variar de acordo com sua capacidade.

Mas sono não dá. Pelo menos não comigo.

Eu não consigo evitar. Se acordei cedo e fico parada por um tempo, seja sentada ou em pé, meu cérebro começa a entrar em standy by. E pouco a pouco o corpo segue o rumo.

Eu durmo em veículos comunitários a ponto de roncar e babar. Da cabeça ficar pendendo, de ficar pescando. E eu não ligo. Para confessar, até descanso mais nestes cochilos do que aquela puta noite de sono.

Dormir é delícia. Top 3 para esse ato.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A Velhice

Quanto mais eu me noto, mais acabo achando que a velhice esté me apreendendo.

Antes eu sarava bem rápido de doenças como gripe. Quatro semanas de puro catarro me fazem considerar seriamente a idéia de entrar na fila da vacina contra gripe. A gratuita, para maiores de 60 anos.

Antes eu não precisava de compostos vitamínicos. Hoje estou pensando até em comprar um porta comprimidos na lojinha de R$ 1,99 (putz, tem coisa MAIS idosa do que isso?).

Eu sempre gostei de tricotar, mas agora estou numa neura de fazer CROCHÊ. E pior - para fazer TOALHINHAS.

Antes eu tinha uma excelente memória. Agora eu... que que eu tava falando mesmo?


Deus, permita que eu não acabe assim.

domingo, 11 de maio de 2008

O Opala

Uma ode às mulheres guerreiras obrigadas pelos respectivos maridos moribundos a dirigir carros mais velhos que a própria fala.

Porque tem que ter muito culhão para dirigir um ____________ (Opala, Chevette, Monza, Escort; preencha de acordo com a preferência) em uma cidade como São Paulo.

A chance do carro _____________ (morrer, quebrar, falhar, desmontar; preencha de acordo com a preferência) é sempre alta. E, sendo mulher, é sempre muito mais difícil um filha-da-puta dum macho parar e ajudar. A raça gosta mesmo é de ficar olhando, e só.

Mãe, feliz dia das mães. Porque além de cuidar de uma penca de filhos chatos, de um marido chato, tu ainda teve que dirigir o próprio por mais de 10 anos.


sábado, 10 de maio de 2008

O Banho

Não há nada melhor do que tomar banho.

Talvez sexo com alguém querido seja melhor, mas se for é por pequena diferença.

Tomar banho é uma delícia. Talvez pelas raízes indígenas brasileiras, não sei.

No banho você pode libertar o cantor podrão que está dentro de você. No banho você pode refazer a porra da cena do "Psicose" sozinho. No banho, dizem, eu não sei, se você é mulher, que dá para fazer xixi de pé. Dá para imaginar uma outra vida. Dá para achar que as merdas que você fez escorrem via ralo e que tudo vai estar ok. Dá para chorar e não saber o que é lágrima e o que é choro. Dá para fazer gargarejo. Mas o melhor mesmo ainda é a principal razão de tomarmos banho: ficar limpinhos.

Deus, ficar limpinha é orgasmático.